Turquia: Médicos acusam governo de esconder dados sobre a Covid-19

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O governo deixou de especificar o número de internados em UTIs e limita-se a mencionar “pacientes graves”

SANDRO PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDODesde o surgimento da pandemia, o país já contabilizou 231.869 casos e 5.717 mortes pela Covid-19

A Associação de Médicos da Turquia (TTB) acusou o governo de reter dados sobre os casos da Covid-19 porque não está realizando testes de infecção suficientes, e informou que alguns hospitais estão atingindo sua capacidade máxima e enviando pacientes para casa. “O Ministério da Saúde restringiu os testes para aqueles que tiveram contato com pessoas infectadas. Se o número de testes cai, o número de novos pacientes cai. Com zero testes, você tem zero pacientes”, denunciou o presidente do TTB, Sinan Adiyaman, em declarações publicadas neste domingo, 01, pelo jornal local “Sozcu”.

O presidente da TTB disse que o poder executivo chefiado por Recep Tayyip Erdogan está escondendo dados do público. Os números oficiais mostram menos de 1 mil novas infecções diárias na Turquia, um país de cerca de 80 milhões de pessoas. Desde o surgimento da pandemia, já contabilizou 231.869 casos e 5.717 mortes pela Covid-19. De acordo com Adiyaman, 10% dos hospitalizados estão em terapia intensiva, um número muito superior à média de 1% que, como dito por ele, tem sido o padrão no resto do mundo. O governo deixou de especificar o número de internados em UTIs e limita-se a mencionar “pacientes graves“. “Em algumas cidades, os pacientes são enviados para casa porque não há camas disponíveis. Nós os mandamos para casa, mas não sabemos se eles ficam lá ou saem”, advertiu.

O jornal “Birgün” informa neste domingo que a província de Malatya, no centro do país, registrou até 100 novos casos por dia nos últimos quatro dias, mas que o Ministério da Saúde relatou apenas 45 diariamente. Yilmaz Kurt, médico do departamento de emergência de um hospital particular em Ancara, disse à Agência Efe que tem visto um aumento no número de contágios e que alguns colegas em outros centros relatam trabalho em plena capacidade. “Podemos esperar uma nova onda após o feriado para a Festa do Sacrifício, porque centenas de milhares de pessoas estão viajando pelo país para visitar suas famílias”, afirmou.

Kurt também especulou que o atual aumento de casos está relacionado à cerimônia religiosa maciça que ocorreu em Istambul em 24 de julho, quando dezenas de milhares de pessoas se reuniram fora da Hagia Sophia para participar da primeira oração depois que ela foi reconvertida em mesquita.

*Com informações da EFE