Pescadores salvam 800 náufragos em meio à crise migratória na Ásia

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Com a ajuda de pescadores, cerca de 800 imigrantes conseguiram chegar nesta sexta (15) costa da Indonsia, mas outros barcos foram rejeitados por Malsia e Tailndia apesar de a ONU ter pedido aos pases do Sudeste Asitico que resgatassem os refugiados.

O apelo foi feito depois que os trs pases impediram a entrada de milhares de pessoas vindas de Mianmar e Bangladesh. Com a recusa, a maioria ficou deriva no mar de Andaman em barcos precrios, sem comida, gua e combustvel.

Segundo a Organizao Mundial para a Migrao (OIM), o governo indonsio pediu ajuda do rgo para receber 790 imigrantes que foram resgatados por pescadores e levados cidade de Langsa, na ilha de Sumatra, aps o naufrgio de um barco.

Neste grupo, estavam 420 pessoas vindas de Bangladesh e 370 rohingyas, etnia islmica perseguida em Mianmar. Segundo a polcia da cidade, a embarcao em que estavam foi rebocada pela Marinha da Tailndia at guas da Indonsia.

No se sabe, porm, se eles so os mesmos imigrantes de um barco flagrado na quinta (14) pela rede de televiso britnica BBC. Alm deles, um nmero indeterminado de pessoas chegou em embarcaes menores ilha de Sumatra.

A Indonsia, porm, rebocou outro barco para fora de seu territrio, assim como a Tailndia, que rebocou at as guas do pas vizinho um pesqueiro com 300 rohingyas de Mianmar que estava com um motor quebrado e sem seu capito.

O porta-voz da Marinha tailandesa, Veerapong Nakprasit, alegou que ainda havia tripulantes no barco e que os ocupantes no queriam ficar no pas. Ele afirma que os soldados deram combustvel, comida, remdios e gua antes de solt-los no oceano.

“Ns fizemos nosso papel humanitrio. Eles no queriam vir Tailndia, ento os colocamos de volta em sua rota. No se trata de um rechao porque eles queriam ir embora”, disse Nakprasit.

A situao foi considerada incompreensvel e desumana pelo chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad al-Hussein, que criticou tambm as ameaas de criminalizar refugiados que entraram em seus pases de forma ilegal.

“Tais aes vo conduzir forosamente a numerosas mortes que poderiam ser evitadas. O foco deveria ser em salvar vidas, no coloc-las de volta em perigo.”

Editoria de arte/Folhapress

REJEITADOS

Os novos casos de barcos rejeitados ocorrem no mesmo dia em que os pases receptores deram sinais de que no vo acolher sozinhos os refugiados e em que Mianmar, uma das naes de origem, no os quer de volta.

O chefe de governo tailands, Prayuth Chan-ocha, disse no ter recursos para cuidar dos imigrantes. “Agora temos que achar um lugar para que eles fiquem. No futuro, se muitos mais vierem, roubaro os empregos e as moradias dos tailandeses.”

J o primeiro-ministro malasiano, Najib Razak, disse que seu pas no tolerar o trfico humano.”Qualquer pessoa que esteja cometendo esta injustia e violando nossas leis ser levada Justia”.

Tanto o pas como a Malsia pediram ajuda a organizaes internacionais para lidar com o fluxo de imigrantes. Por outro lado, o porta-voz do governo de Mianmar, Ye Htut, disse que o pas rejeitar o retorno dos rohingyas.

“No podemos dizer que eles vieram de Mianmar a no ser que sejamos capaz de identific-los”, disse o representante do pas, que no concede documentos aos membros da etnia islmica por consider-los aptridas.

Mianmar tambm ameaou no ir a uma cpula sobre o tema na Tailndia no dia 29 caso seja citada a questo dos rohingyas. Para Zeid Ra’ad al-Hussein, a imigrao no acabar se o pas no conseguir resolver a situao da minoria.