Coronavírus: Uip critica China e diz que ‘somente casos mais graves’ devem buscar hospital

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O infectologista David Uip, que coordena o comitê de contingenciamento para enfrentar o coronavírus em São Paulo, afirmou durante coletiva nesta quinta-feira (27) que o Estado vive uma “situação de conforto e conhecimento”, mesmo após a confirmação do primeiro caso da Covid-19 no Brasil. Ele criticou algumas medidas adotadas pela China no enfrentamento do vírus, como hospitalizar todos os pacientes que apresentaram sintomas.

“Pacientes com tosse e febre, fiquem em casa, se hidratem, tenham uma boa alimentação e repouso. Se a febre for e voltar, procure o atendimento médico. Também deverão procurar atendimento hospitalar aqueles que apresentarem desconforto respiratório. Por exemplo, se aumentar o número de respirações por minuto (respiramos em média 20 vezes por minuto) ou se tiver dificuldade para respirar”, disse.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, também reprovou a resposta do país asiático, e justificou o isolamento domiciliar orientado no Brasil. “Não se interna um indivíduo em um hospital porque está com gripe. Aquele hospital construído em dez dias [na China] foi uma demonstração de uma medida equivocada que levou a um colapso do sistema hospitalar, porque você não coloca pessoas com síndromes respiratórias leves dentro de um hospital”, explicou.

De acordo com Uip, o coronavírus vai se manifestar da seguinte forma: “a grande maioria será pouco sintomático e uma pequena minoria necessitará de internação”. Somente os casos mais graves devem buscar os hospitais de referência, entre eles o Hospital das Clínicas de São Paulo e o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista.

Vírus já conhecido

Uip lembrou que o processo de resposta ao coronavírus já é conhecido, pois não se trata de um vírus novo. “Ele é responsável por 5 a 10% das infecções pulmonares em adultos”, explicou. No País, há dois tipos mais comuns circulando: o 229E e o OC43, que têm capacidades distintas do Covid-19.

Além disso, o infectologista citou outras epidemias já confrontadas, como o H1N1, a dengue e o sarampo. “Estamos preparados por uma política adequada de enfrentamento a uma situação conhecida”, completou.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, também exaltou o “trabalho técnico e forte do Ministério da Saúde para atender a todas as unidades da federação”. Ele disse que o Covid-19 vai se impor como uma pandemia, mas com uma taxa de letalidade muito menor do que a apresentada, pois “estão sendo considerados somente os pacientes diagnosticados hospitalares”.

Mandetta afirmou, ainda, que devem haver outros casos, inclusive oriundos do paciente infectado em SP. “O que podemos fazer agora é diminuir essa chance e garantir a agilidade e a transparência.”

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