Cientistas sequenciam genoma do coronavírus que contaminou brasileiro

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EFE/EPA/WU HONGCoronavírus do paciente brasileiro é geneticamente diferente do encontrado na China

Pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, em parceria com a USP e a Universidade de Oxford, da Inglaterra, fizeram o primeiro sequenciamento genético do novo coronavírus que chegou à América Latina.

O procedimento pioneiro, geralmente feito em 15 dias, foi realizado apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso no Brasil. De acordo com as primeiras análises, o genoma do coronavírus diagnosticado em solo brasileiro se diferente em três aspectos do encontrado em Wuhan, epicentro do surto.

Isso significa que a amostra retirada do paciente de São Paulo é geneticamente parecida com a de um genoma sequenciado na Alemanha, confirmando que o vírus veio da Europa. Segundo os especialistas, os dados são essenciais para o desenvolvimento de vacinas e de testes diagnósticos. Com as informações do sequenciamento, também será possível compreender como o vírus se desloca e como as mutações podem alterar a evolução da doença.

De acordo com o coordenador do centro de contingência do coronavírus em São Paulo, David Uip, outros estudos para a produção de medicamentos já estão em andamento. “Neste momento, existem 80 estudos em andamento, do ponto de vista de medicamento para o tratamento do coronavírus. Alguns desses estudos envolvem drogas utilizadas no tratamento de pessoas com HIV. Outros são anti-inflamatórios.”

Para o presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, o Brasil está lidando com o surto do coronavírus de maneira exemplar. “Nós estamos enfrentando muito bem essa epidemia mundial, a vigilância do Ministério está atenta. Há de se fazer elogios, não só à cúpula do ministério, mas a toda rede dos Estados, que está vigilante. Eu acredito que a condução, até hoje, dessa epidemia mundia e dessa vigilância que está havendo no Brasil, para mim, está impecável.”

O genoma completo do vírus sequenciado foi disponibilizado à comunidade científica internacional nesta sexta.

* Com informações de Letícia Santini.