‘Altas autoridades americanas são alvo do Irã’, afirma professor, que descarta ‘Terceira Guerra Mundial’

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EFEPara Gunther Rudzi, atingir “apenas soldados” seria uma forma de rebaixar o general iraniano

O professor de relações internacionais da ESPM e coordenador do núcleo de estudos e negócios em Oriente Médio, Gunther Rudzi, afirmou que a resposta do Irã ao ataque dos Estados Unidos que matou o principal general do país, Qassem Soleiman, não deve ter como alvo “apenas soldados” mas, sim, “altas autoridades americanas”.

Em entrevista ao Jornal da Manhã neste sábado (4), ele explicou que mirar em americanos de “menor importância” seria como “rebaixar” Soleiman. “Todas as unidades americanas estão no mais alto alerta, são alvos mais que potenciais. Mas eu não acho que serão – dentro do pensamento deles, claro – ‘só soldados’, porque isso seria rebaixar o Soleiman, matar um soldado em troca de um general. E não é só um general, é a segunda pessoa mais importante dentro da estrutura do governo iraniano. Por isso, as altas autoridades americanas, agora, são alvo”, disse.

De acordo com o professor, o governo americano “ultrapassou a linha que os governos evitavam desde a Segunda Guerra Mundial”, quando se estabeleceu a ordem internacional que vivemos hoje, que é matar a alta autoridade do país e, ainda por cima, anunciar o feito. “O que alguns governos são famosos por conseguirem é fazer parecer algo natural, um acidente. Mas os EUA ultrapassaram essa linha vermelha. Por isso mesmo acredito que [matar] só três mil soldados é pouco, só o começo”, afirmou.

“A grande dúvida, agora, é se será uma reação nesse patamar [atingir uma alta autoridade dos Estados Unidos] ou se será uma escalada que começou agora e atingirá múltiplos alvos de interesses americanos em toda a região”, completou.

Apesar disso, Rudzi descarta a possibilidade de uma ‘Terceira Guerra Mundial’. “Todos estão trabalhando para evitar isso e para manter um mínimo de controle sobre esse conflito. A diplomacia global funciona muito bem atualmente”, avaliou. Mesmo assim, o professor ressaltou que os Estados Unidos podem preparar novos ataques. “A inteligência americana está mais do que alerta.”